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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

» 'Não existe processo de venda da Tim Brasil'

Executivo admite que situação pode mudar caso Telefônica compre mais ações com direito a voto na controladora da Telecom Itália, dona da operadora brasileira

Fernando Scheller e Rodrigo Petry - O Estado de S.Paulo

Desde que a Telefônica fechou, no fim de setembro, um acordo de 324 milhões de euros para aumentar sua fatia na Telco, a controladora da Telecom Itália, o mercado se pergunta o que vai acontecer com a TIM. O negócio inclui a possibilidade de o grupo espanhol ter mais ações com direito a voto na Telco a partir de janeiro. Se isso ocorrer, a dona da Vivo passaria a dar as cartas também na TIM. O governo já sinalizou que, do ponto de vista da concorrência, isso deve obrigar a venda da operadora.

Neste cenário, o presidente da TIM, Rodrigo Abreu, tenta manter a normalidade no dia a dia das operações. Há duas semanas, ele usou uma convenção de vendas para mostrar aos funcionários que a TIM é alvo de boatos de venda desde 2007. Foi a forma que ele encontrou para dizer que, na situação atual, nada muda. "O acionista controlador explicita de maneira absolutamente clara que não existe nenhum processo de venda da TIM Brasil, nem formal nem informal", disse o executivo em entrevista exclusiva ao Estado.

Leia os principais trechos:

Como as mudanças na Telecom Itália influenciam a TIM Brasil?

RODRIGO ABREU - Na semana retrasada, na nossa convenção de vendas, falei das mudanças no acionista principal e do impacto delas na TIM. Coloquei uma série de manchetes na tela, como "TIM Brasil pode ser vendida". Mostrei os recortes e só depois revelei as datas. Eram de 2007. A empresa passou por uma situação muito parecida na época em que a Telefônica entrou no capital do grupo de controle da Telecom Itália, a Telco. Para evitar conflitos de interesse, foi firmado um acordo com o Cade. Esse acordo impõe uma série de premissas de governança. Apesar de participar do capital da Telco, os conselheiros nomeados pela Telefônica não participam da tomada de decisões relativas à TIM Brasil.

Se a Telefônica aumentar sua participação com direito a voto na Telco, o acordo ainda vale?

RODRIGO ABREU - A Telefônica pode passar a ter uma participação maior com direito a voto (na controladora da Telecom Itália). Mas hoje ainda não existe nenhum tipo de impacto imediato para o acordo já existente.

O alto endividamento da Telecom Itália é um fator que pode levar à venda da TIM?

RODRIGO ABREU - A Telecom Itália, apesar da dívida, não tem problema de liquidez. Tem uma geração de fluxo de caixa invejável e opções para melhorar sua performance operacional. E existem várias discussões sobre o reequilíbrio da estrutura de capital e da redução da dívida da Telecom Itália, incluindo aumentos de capital. Uma parte muito pequena (do investimento) da Telefônica na Telco é aumento de capital. O acionista controlador explicita de maneira absolutamente clara que não existe nenhum processo de venda da TIM Brasil, nem formal nem informal. Aliás, na quinta-feira, por conta de movimentação superior à média (na Bolsa), soltamos um fato relevante. E a própria Telecom Itália fez um comunicado dizendo que não existe processo de venda da TIM Brasil.

O acordo abre a porta para a Telefônica aumentar seu direito a voto.

RODRIGO ABREU - O aumento de capital atual é sem direito a voto. Agora, nada muda. Os termos do termo de compromisso com as autoridades brasileiras continuam válidos. Qualquer (outro) aumento de participação passa pela aprovação das autoridades italianas, brasileiras e argentinas.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já declarou que a melhor solução para o caso seria a venda da TIM.

RODRIGO ABREU - Sim, mas em caso de fusão. Mas hoje a participação líquida da Telefônica na Telecom Itália está em torno de 12%. Não é uma fusão entre as duas empresas. Existem várias possibilidades para uma solução regulatória.

A Telecom Itália pretende buscar uma solução para não ter de ficar sem a TIM?

RODRIGO ABREU - O interesse da Telecom Itália na TIM é grande. A empresa é um ativo importante dentro da estratégia do grupo, até pela capacidade de geração de resultado.

Por que fontes da Telecom Itália, sob anonimato, diriam que a venda da TIM seria uma forma de reduzir a dívida?

RODRIGO ABREU - A posição oficial da Telecom Itália é: a TIM é uma empresa absolutamente chave para o grupo. Mas isso significa que a empresa nunca poderá ser vendida a qualquer custo? Obviamente, se alguém quiser pagar o dobro do que o seu carro vale, provavelmente você vai pensar. É difícil comentar sobre o boato e a fonte não revelada. Mas não é tão difícil de entender a origem deste tipo de notícia. Alguns analistas de bancos soltaram relatórios sobre o impacto da venda da TIM, com várias simulações. Mas transformar isso em uma posição formal da empresa é totalmente diferente. Tanto que a empresa reforçou que não existe um processo nem formal nem informal de venda.

A oposição à venda da TIM teria levado à saída do presidente da Telecom Itália (Franco Bernabè).

RODRIGO ABREU - Esse processo reflete algo bem mais complexo. Envolve discussões sobre aumento de capital e a participação do governo italiano. A TIM é importante na equação, mas não foi esse o motivo. A posição da Telecom Itália sobre a TIM Brasil é que não está à venda. Qualquer tipo de obrigação regulatória que possa existir lá na frente, é uma discussão que começa com a Telefônica, e não com a Telecom Itália.

Para as autoridades brasileiras, em quanto a participação da Telefônica na Telecom Itália teria de aumentar para caracterizar a tomada de controle?

RODRIGO ABREU - Do ponto de vista estritamente regulatório (brasileiro), a Telefônica está no controle da Telecom Itália - e, portanto, indiretamente da TIM Brasil - com a nomeação de um único conselheiro. Essa situação existe, mas é neutralizada com as medidas existentes. A Telefônica nomeia dois conselheiros na Telecom Itália, mas eles não participam das decisões sobre o negócio no Brasil.

O acordo pode ser cancelado?

RODRIGO ABREU - O próprio presidente da Anatel (João Rezende) já declarou que o acordo que existe hoje (entre Telefônica e Telco) não muda nada. A opção que a Telefônica tem de aumentar a participação no capital votante da Telco estará condicionada a algum tipo de aprovação regulatória.

Como essa incerteza societária afeta a vida da TIM?

RODRIGO ABREU - A incerteza está mais ligada à estrutura de capital, sem interferência operacional. Tanto é que, de 2007 para cá, a TIM foi a empresa que mais ganhou participação de mercado. A companhia continua com seu plano de investimentos de R$ 3,6 bilhões por ano. E não faz isso com recursos enviados pelo controlador, porque a TIM é uma empresa geradora de caixa.

O endividamento é baixo?

RODRIGO ABREU - É baixíssimo e nos dá flexibilidade de operação. Isso nos permitiu fazer duas aquisições, a da Intelig e a da AES Atimus, que mudaram a dimensão da empresa (da TIM) do ponto de vista de infraestrutura. O conforto financeiro também evita que tomemos decisões unicamente para gerar caixa. A venda de torres, por exemplo, não é interessante para o acionista no longo prazo. Ela gera caixa num primeiro momento, mas vai gerar custos futuros.

Como o senhor avalia a operação de fusão entre Oi e Portugal Telecom?

RODRIGO ABREU - A Portugal Telecom é uma parceira estratégica que deve ajudar na melhoria da eficiência na operação da Oi. Óbvio que daí para frente há um desafio de execução grande. É uma operação que precisa ser provada na execução. E o melhor juiz dessa operação vai ser o mercado, ao subscrever as ações.

O que muda no mercado de Telecom com essa fusão?

RODRIGO ABREU - Do ponto de vista de mercado, os ativos seguem os mesmos. Embora exista uma sinergia operacional, as empresas estão em países diferentes. A Oi precisa proteger seu mercado fixo e aproveitar as oportunidades de crescimento no móvel, aumentando seus investimentos. Do outro lado, para fazer com que a empresa reequilibre sua estrutura de capital, é preciso aumentar a geração de caixa. A Oi precisa encontrar esse equilíbrio.

Então essa operação não traz preocupações no curto prazo para a TIM?

RODRIGO ABREU - Para nós, a dinâmica competitiva do mercado não muda.

Uma pesquisa da UIT apontou que o Brasil tem a ligação mais cara do mundo. Por que isso ocorre?

RODRIGO ABREU - Acho que ocorreu um enorme desserviço em relação ao que acontece no setor de telecomunicações no Brasil. Os preços que a UIT usou para comparar os serviços entre os países não existem, são os valores cheios enviados aos órgãos reguladores. É a mesma coisa que comparar os preços que os hotéis cobram pelas suítes usando as tarifas de balcão. O custo médio de ligação do pré-pago é de R$ 0,05 por minuto (segundo a UIT, seria de US$ 0,74).

Como o senhor avalia a suspensão das vendas da TIM no ano passado?

RODRIGO ABREU - Acho que o próprio regulador (Anatel) viu que foi uma medida drástica. Entendeu que o melhor caminho é o monitoramento continuo, com diálogo. A suspensão não resolve nada.

O serviço de telefonia está migrando da voz para os dados. Como a TIM está se preparando para isso?

RODRIGO ABREU - Nosso maior projeto de investimento este ano é levar as redes de fibra até 85% das antenas das principais cidades, o que será realizado basicamente por causa da expansão da banda larga móvel.

Esse crescimento pode ser comprometido pela infraestrutura deficiente?

RODRIGO ABREU - O maior impeditivo do crescimento dos dados não é a infraestrutura, mas a falta de aparelhos. Há pouco mais de um ano, menos de 30% da nossa base tinha capacidade para uso de dados. Hoje, está em 55%.

O senhor tem conversado com o presidente interino da Telecom Itália? Ele acompanha a situação da TIM Brasil?

RODRIGO ABREU - O CEO atual da Telecom Itália, Marco Patuano, já liderou a operação doméstica da Telecom Itália e também foi diretor financeiro da TIM Brasil. A nossa interação é frequente.

Fonte: Estadão.com.br
Link: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,nao-existe-processo-de-venda-da-tim-brasil,1085517,0.htm

» Crise política nos EUA persiste e ainda afeta bolsas da Ásia

Impasse em relação a um acordo entre governo de Barack Obama e o Congresso entra na terceira semana sem uma solução

PEQUIM - As bolsas asiáticas fecharam em queda, pressionadas pela falta de resolução no impasse fiscal dos EUA. No entanto, em um dia em que as bolsas de Hong Kong e de Tóquio estiveram fechadas para negociações, o mercado chinês destoou do mercado e encerrou o pregão em alta, apoiada em uma sinalização positiva da inflação de setembro.

Sem um acordo entre democratas e republicanos, o governo norte-americano já se prepara para entrar na terceira semana de paralisação. Durante o fim de semana, as negociações entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e os republicanos da Câmara dos Representantes não surtiram efeito, frustrando as expectativas do mercado, que no fim da última semana se animou com o anúncio do encontro. Com isso, o foco se volta para as conversas entre líderes do Senado.

O Tesouro norte-americano já alertou que em 17 de outubro as medidas extraordinárias utilizadas para que os EUA continuem pagando suas dívidas chegarão ao fim. Dessa forma, a maioria dos mercados asiáticos reagiu com uma postura cautelosa. "Acredito que a maioria das pessoas está esperando para comprar", disse o analista da CMC Markets, Desmond Chuá.

O índice S&P/ASX 200, da Bolsa da Austrália, encerrou o dia com perdas de 0,4%, para 5.207,9 pontos. Da mesma forma, o Taiwan Weighted recuou 0,9% e caiu para 8.273,96 pontos. O índice PSEi, das Filipinas, fechou em baixa de 0,7%, aos 6.442,70 pontos, e na Coreia do Sul o índice Kospi recuou 0,2%, para 2.020,27 pontos.

Além do impasse nos EUA, as negociações na Austrália foram pressionada por dados fracos de exportação da China, seu principal parceiro comercial, e pelos feriados em mercados vizinhos, levando a um volume negociado no dia bem abaixo da média diária. Os investidores também aguardaram pelas minutas da última reunião do Banco da Reserva da Austrália (RBA, na sigla em inglês), que serão publicadas amanhã.

Em Taiwan, as preocupações com os EUA aumentam os temores com as exportações do país, assim como a valorização da moeda local pode prejudicar as vendas para o exterior. O mercado também está cauteloso com a votação de uma moção de confiança contra o governo, que será votada amanhã.

O mercado chinês foi na contramão das bolsas asiáticas, influenciado por uma série de indicadores publicados desde o fim de semana. O índice Xangai Composto subiu 0,4%, para 2.237,77 pontos, e atingiu o nível mais alto desde 12 de setembro. O índice Shenzhen Composto avançou 0,9%, para 1.097,06 pontos.

O destaque ficou por conta da alta de 3,1% na inflação de setembro, na comparação anualizada. A taxa foi maior que os 2,6% de agosto e que os 2,9% projetados pelo mercado e foi vista como um bom sinal da economia. "Enquanto a inflação ao consumidor está acelerando, o número não é forte o suficiente para levar o governo a lançar um imediato aperto monetário. Para os investidores, o relatório de inflação é mais um catalisador positivo, já que o número maior que o esperado indica que a economia chinesa continua a se recuperar", disse Zhang Gang, analista da Central China Securities.

Ações de empresas relacionadas ao consumo saltaram nas negociações. Os papéis da Shandong Denghai avançaram no limite diário de 10%, assim como os da Xinjiang Talimu Agriculture, enquanto os da Heilongjiang Agriculture fecharam com ganhos de 4,6%.

No sábado, o governo também reportou uma queda de 0,3% nas exportações de setembro e uma alta de 7,4% nas importações, enquanto economistas esperavam alta de 5,5% nas exportações e elevação de 6,75% nas importações. Fonte: Dow Jones Newswires.

Fonte: Estadão.com.br
Link: http://economia.estadao.com.br/noticias/ae-mercados-geral,crise-politica-nos-eua-persiste-e-ainda-afeta-bolsas-da-asia,167307,0.htm

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

» Analistas elevam para 2,47% previsão de alta do PIB em 2013

No caso da inflação, a projeção do Relatório Focus para 2014 caiu de 5,97% para 5,95%

Célia Froufe, da Agência Estado


BRASÍLIA - Após uma pausa, analistas do mercado financeiro voltaram a revisar para cima suas projeções para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013, segundo relatório de mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 7, pelo Banco Central. De acordo com o levantamento, a atividade brasileira crescerá 2,47% em 2013. Na pesquisa anterior, a projeção era de uma expansão de 2,40% e, na de quatro semanas atrás, de 2,35%.

Para 2014, o quadro não foi alterado. Os economistas mantiveram a projeção de expansão de 2,20% como na semana passada para o crescimento do País. Há um mês era aguardado um crescimento de 2,28%.

A alta da economia prevista para este ano não será sustentada pelo setor manufatureiro, de acordo com os profissionais consultados pelo BC. Isso porque a Focus revelou uma queda na estimativa para o crescimento da produção industrial deste ano, de 1,92% para 1,70%. No levantamento feito um mês atrás, a mediana estava em 2,10%.

No caso de 2014, a tendência foi idêntica: o setor manufatureiro deverá se expandir apenas 2,30% no ano que vem, e não mais 2,40%, como era previsto no levantamento anterior. Quatro semanas atrás, a mediana das estimativas para a indústria era de um crescimento de 3,00%.

Inflação

O relatório Focus trouxe estabilidade nas estimativas para a inflação deste ano. A mediana para o índice de 2013 seguiu em 5,82%, mesmo patamar de há quatro semanas. Para 2014, a mediana das previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu levemente de 5,97% para 5,95% ante taxa de 5,85% vista um mês atrás.

O Focus revelou também que, no caso da mediana das estimativas suavizadas à frente para a inflação acumulada em 12 meses, houve uma aceleração de 6,21% para 6,23%. Há quatro semanas, estava em 6,13%.

Já entre os profissionais que mais acertam as previsões para o médio prazo, o grupo denominado pelo BC de Top 5, não houve mudanças nas estimativas. O IPCA de 2013 deverá ficar em 5,80% como era esperado uma semana antes - quatro semanas atrás, a mediana estava em 5,85%. No caso de 2014, esse mesmo grupo manteve a projeção para a inflação em 6,17%, mesma taxa vista há um mês.

Para o curto prazo, os analistas também não revisaram suas estimativas para o IPCA de setembro, que seguiu em 0,35%. No caso de outubro, a expectativa ficou estacionada em 0,56%. Há um mês, as medianas para estas projeções estavam respectivamente em 0,45% e 0,55%.

Selic

Analistas ouvidos pelo BC mantiveram a mediana das estimativas para a taxa básica de juros em 9,75% ao ano para o fim de 2013 e de 2014. Há um mês, a expectativa já estava nesse patamar em todos os casos.

Para o curto prazo, a mediana das estimativas para a Selic de outubro também ficou inalterada em 9,50% ao ano, como já estava na semana passada e também quatro semanas atrás. Na média deste ano, segundo esses profissionais, os juros ficarão em 8,34% ao ano - porcentual em que já estava estacionado uma semana antes e um mês atrás. Para 2014, a Selic deve ficar, em média, em 9,75% como o previsto também na Focus da semana passada e na de um mês antes.

Câmbio

A taxa de câmbio deverá fechar o ano em R$ 2,30, segundo a mediana das estimativas do Focus. Houve manutenção das expectativas em relação à taxa da semana passada. Quatro semanas atrás, estava em R$ 2,36.

Para o fim de 2014, a mediana das projeções seguiu em R$ 2,40, que também era a cotação aguardada um mês antes. Apesar da manutenção das expectativas para o fim de ambos os períodos, o Focus revelou uma pequena correção na cotação média do dólar em 2013, que passou de R$ 2,18 para R$ 2,17. Um mês antes estava em R$ 2,21. No caso de 2014, o câmbio médio seguiu em R$ 2,37 como na semana passada, levemente mais baixo do que a cotação prevista um mês atrás (R$ 2,38).

» Cade investigará Unilever e Nestlé por supostas infrações

Segundo o Diário Oficial, Unilever e Nestlé podem ter violado artigos da antiga e da atual lei de concorrência

Luci Ribeiro, da Agência Estado


BRASÍLIA - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu instaurar processo administrativo contra as empresas Unilever Brasil/Kibon e Nestlé Brasil. O objetivo é investigar se as companhias cometeram infrações à ordem econômica, como denuncia a empresa Della Vita Grande Rio Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios em apuração preliminar que tramitava no Cade. A decisão está em despacho publicado na edição desta segunda-feira, 7, do Diário Oficial da União (DOU).

Segundo o documento, Unilever e Nestlé podem ter violado artigos da antiga e da atual lei de concorrência, especialmente no que se refere a ações ligadas a merchandising. As empresas são acusadas, por exemplo, de limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado, e de exigir ou conceder exclusividade para divulgação de publicidade nos meios de comunicação de massa. As duas empresas devem apresentar defesa e provas no prazo de 30 dias.

Se comprovada a prática de infração à ordem econômica, as empresas estarão sujeitas, entre outras penalidades, à multa que varia de 0,1% a 20% do valor de seu faturamento bruto obtido no último exercício anterior à instauração do processo administrativo no ramo de atividade empresarial em que ocorreu a infração. O despacho com a abertura da investigação é assinado pelo superintendente-geral substituto do Cade Diogo Thomson de Andrade.

» Paralisação dos Estados Unidos pressiona Bovespa

Às 10h15, o Ibovespa caía 0,74%, aos 52.458,31 pontos, na pontuação mínima do dia

Olívia Bulla, da Agência Estado


SÃO PAULO - A semana começa com a Bovespa exibindo perdas, diante da continuidade do impasse político nos Estados Unidos. Às 10h15, o Ibovespa caía 0,74%, aos 52.458,31 pontos, na pontuação mínima do dia, em linha com a queda verificada nos mercados internacionais. O calendário econômico desta segunda-feira, 7, reserva poucas novidades, o que tende a prolongar o sofrimento dos investidores à medida que o fechamento parcial do governo Obama entra no sétimo dia.

Não houve avanço nas negociações entre republicanos e democratas ao longo do fim de semana, e o discurso duro do presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, de que a reabertura do governo federal e o aumento do teto da dívida dos EUA estão atrelados a discussões de medidas amplas, destinadas a cortar os gastos futuros, provoca uma busca por proteção nos ativos mais seguros ao redor do mundo. Ainda mais depois que o secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew, alertou que o Congresso "está brincando com fogo", caso nada seja feito para evitar que o endividamento norte-americano alcance o limite, de US$ 16,7 trilhões - provavelmente no dia 17 de outubro - podendo resultar em um default (calote).

Em meio às perspectivas menos favoráveis para a economia dos EUA, os índices futuros das bolsas de Nova York e as principais bolsas europeias operam em baixa, assim como o dólar perde terreno frente ao euro e ao iene. As principais commodities industriais também exibem perdas. "Nesse cenário, a Bolsa brasileira deve recuar, pressionada pela aversão ao risco no exterior", comenta, em relatório, os analistas do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depec) do Bradesco.

Internamente, o foco continuam voltado para OGX. Nesta semana, integrantes da cúpula da companhia de Eike Batista retornam a Nova York para mais uma rodada com eventuais investidores interessados. Ainda no setor petrolífero, a Petrobras anunciou a venda de ativos no Uruguai. Além disso, hoje é o prazo final para apresentação das garantias pelas empresas que se inscreveram para o primeiro leilão do pré-sal, previsto para acontecer no fim deste mês.

» Impasse nos EUA entra na 2ª semana sem solução

Boehner, presidente da Câmara, diz que não aumentará teto da dívida sem conversações amplas; dia 17, EUA não poderão mais tomar empréstimos

Fredreka Schouten, USA TODAY - O Estado de S.Paulo


WASHINGTON - O parcial fechamento do governo americano entrou na segunda semana sem nenhum sinal de solução do impasse, e os parlamentares republicanos do Congresso vincularam a atual crise orçamentária ao iminente confronto sobre uma possível moratória na questão da dívida da nação.

O presidente da Câmara, John Boehner, disse que não permitirá que a Casa, de maioria republicana, siga adiante com um projeto de lei que aumenta a autoridade do governo de tomar dinheiro emprestado sem que haja conversações mais amplas sobre a redução dos gastos federais.

"Não quero que os Estados Unidos deixem de pagar suas dívidas", afirmou o republicano de Ohio ao programa This Week da rede ABC. "Mas não pretendo aumentar o teto da dívida sem que tenhamos antes conversado seriamente sobre os problemas que elevam o endividamento do país."

O presidente Obama, afirmou o republicano, "corre o risco de calote por não conversar conosco". À pergunta sobre quando esse impasse chegará ao fim, Boehner respondeu: "Se eu soubesse, diria".

O governo chegará ao limite da possibilidade de tomar dinheiro emprestado no dia 17, e Obama pediu aos legisladores que aprovem um projeto que aumente limites do endividamento sem precondições. O secretário do Tesouro, Jacob Lew, achou "precipitado" e "perigoso" o governo federal chegar tão perto de um possível calote da dívida de US$ 16,7 trilhões. "No dia 17, perderemos nossa capacidade de tomar empréstimos. O Congresso está brincando com o fogo", disse Lew em programa da rede CNN.

Condições. O senador texano Ted Cruz, que liderou os esforços do Partido Republicano para acabar com a lei de reforma da saúde de Obama, de 2010, como condição para manter o governo funcionando, ontem apresentou três condições para os republicanos aceitarem o acordo sobre o teto da dívida. "É preciso formular algum plano estrutural significativo para reduzir os gastos do governo", disse Cruz. "É preciso evitar novos impostos. E, em terceiro lugar, é preciso encontrar maneiras para reduzir os prejuízos do Obamacare!"

O fechamento parcial do governo começou no dia 1.º, porque republicanos e democratas não chegaram a um entendimento sobre os projetos de gastos para manter o governo funcionando até o próximo exercício fiscal.

A bancada republicana da Câmara defende a eliminação ou o adiamento da lei de reforma da saúde como condição para a aprovação de um projeto de lei temporário - posição rejeitada por Obama e pelos democratas que controlam o Senado.

Nos últimos dias, a Câmara aprovou várias medidas para a reabertura de alguns setores do governo - a maioria das quais foram rejeitadas pelo líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, que quer que a Câmara aprove um projeto para a abertura total do governo, sem qualquer precondição.

No sábado, Lew pediu que a Câmara votasse imediatamente uma medida temporária sem vinculá-la a exigências tanto em relação à lei da saúde quanto aos cortes de gastos. Os legisladores "precisam abrir o governo", afirmou Lew. "E podem abri-lo hoje."

Entretanto, Boehner afirmou que não tem os votos na Câmara para votá-la sem precondições, apesar das indicações de que alguns moderados do seu partido estariam dispostos a apoiar os democratas na aprovação de uma medida isenta de condições para acabar com o fechamento. A Casa Branca duvidou da afirmação de Boehner. "Se não há votos para abrir o governo, como o presidente Boehner afirma, por que ele está tão temeroso de convocar a votação e prová-lo?", escreveu ontem no Twitter o assessor sênior da Câmara, Dan Pfieffer.

Cabe a Obama, insistiram os republicanos, dar início às negociações para acabar com o impasse. "Estamos interessados em conversar sobre a abertura do governo e sobre como podemos começar a pagar as nossas contas", disse Boehner. "Mas tudo começa com uma simples conversação." Obama, "sabe o número do meu telefone", acrescentou. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

» ‘Estamos na disputa por Galeão e Confins’, afirma presidente da Andrade Gutierrez

Presidente da Andrade Gutierrez diz que propostas por aeroportos serão competitivas, mas responsáveis

Irany Tereza e Antonio Pita - O Estado de S. Paulo


RIO - Mesmo após ficar de fora das primeiras concessões do governo, a CCR, empresa de concessões que tem a Andrade Gutierrez como um dos principais acionistas, não vai mudar a estratégia na briga pelos leilões dos Aeroportos do Galeão, no Rio, e Confins, em Minas, com os quais o governo espera arrecadar pelo menos R$ 5,9 bilhões. "Ter seis concorrentes ou ter oito não muda a estratégia", diz Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. "Vamos fazer propostas competitivas, mas responsáveis."

Como a empresa vai para o leilão de Galeão e Confins?

Exatamente como entramos na primeira disputa. Temos participações em aeroportos no Equador, Chile, pelos quais passam 15 milhões de passageiros. Sabemos fazer conta e sabemos a dificuldade de operar aeroportos. Estamos na disputa, vamos fazer propostas competitivas, porém responsáveis. A proposta do primeiro foi perdedora, mas a consequência, no dia seguinte, foi o aumento do preço das ações em 15%. Significa que o mercado reconheceu que fizemos certo.

O governo espera uma concorrência forte.

Pretendemos apresentar propostas para os dois. Ter seis concorrentes ou ter oito não muda a proposta. Em nosso entendimento, existe um erro de avaliação na demanda de Confins. O número de passageiros em 2012 foi menor do que em 2011. De 2013 para 2012, está estabilizado para queda. A diferença nos primeiros anos é o que mais pesa no fluxo de caixa.

Qual o cálculo para o limite de investimento nos aeroportos?

Do ponto de vista econômico-financeiro, a ótica da CCR é diferente da visão das concorrentes. Ela não participa com visão empreiteira, mas exclusivamente com a visão de negócio. Várias obras da CCR não são feitas pela Andrade Gutierrez. Para contratar, ela tem de ir ao conselho justificar o preço e ouvir o mercado. Essa é a grande diferença de estratégia.

O grupo vai investir em mais concessões de aeroportos?

A gente tem expectativa, mas o governo poderia acelerar o programa. É só ver as condições. Está muito lento. A tendência é nas capitais ser o mesmo modelo. Mas há regiões que podem liberar aeroportos privados, como o Rio.

Todas as concessões envolvem os mesmos players. Há capacidade financeira para tudo?

Não há. Quando a CCR precisa de dinheiro, ela tem capacidade de ir ao mercado se capitalizar. Ela hoje vale R$ 31 bilhões, é a maior concessionária do Brasil e uma das maiores do mundo em valor de mercado. Com o fluxo que tem de pedágios já definido nos contratos de longo prazo, ela tem capacidade de se financiar. Não pesa no balanço da Andrade Gutierrez. Estamos estruturando essa companhia há 13 anos e ela vem crescendo. A empresa vai participar de outras licitações rodoviárias e de aeroportos. Mas não vai participar, por exemplo, de licitações ferroviárias. A Andrade estuda (participar de ferrovias), não a CCR.

O modelo para as rodovias está atrativo?

Há a consciência muito correta do governo de que três ou quatro rodovias não são possíveis. Em outras quatro ou cinco haverá interesse. Temos em três. Há problemas pontuais, como o preço alto do pedágio. Não é do nosso interesse pedágio alto, isso significa estrada sem tráfego. Queremos pedágios justos. Tem de ter algum tipo de compensação no edital. As exigências de construção podem ser exercidas ao longo do tempo.

O que, em sua opinião, determinou o fracasso do leilão da BR-262?

Não é a primeira licitação que não sai. O projeto, quando é bom, tem concorrente. Quando é ruim, não tem. As pessoas têm constrangimento de falar, mas ninguém compareceu porque é muito ruim. Não é crítica ao governo, é a realidade da estrada. Existem outros projetos ruins e não sei se haverá concorrente.

Hoje, como a Andrade Gutierrez está estruturada?

Aquilo que foi criado há 65 anos, a construtora, é metade do resultado econômico-financeiro do grupo. Os investimentos representam outros 50%, com CCR, Sanepar, Contax e LogMed. No nosso ponto de vista, é melhor diversificar o risco, participando da estrutura de gestão e controle das companhias, mas diversificando os setores. Se tiver uma crise em um setor, não somos afetados. É quase um private equity.

As manifestações abalaram as perspectivas de investir no País?

Apesar da extrema legitimidade dos protestos, o componente de arruaça prejudicou muito o Brasil e o apetite para determinados projetos. Imagina quem tem concessão de serviço público: pontos de ônibus, os próprios ônibus, praças de pedágio. Nós ficamos assustados. O componente bagunça traz insegurança. Impactou a percepção internacional de ver o Brasil como oportunidade. Mas é um movimento legítimo. Não sei como alguém pode ser contra uma coisa dessas, até porque existe a sensação de que se precisa protestar contra alguma coisa.